Encaixe perfeito

Não há dúvidas de que o sinal feito pelo assessor internacional da presidência da república é usado por supremacistas brancos em todo o mundo. Não há dúvidas do quanto isso é repugnante. Não há dúvida de que isso deva ser combatido energicamente. É intolerável a crescente onda racista que inunda o país, mas não há novidade alguma no país da democracia racial. Eles estão apenas trazendo sua visão abjeta do mundo à luz do dia. E, tal qual as milhares de mortes diárias por covid-19, o retorno da fome, a miséria, o desemprego, o feminicídio, a lgbtfobia, a vertiginosa derrocada do Estado Laico, etc., estamos naturalizando, normalizando suas atitudes sob a luz da liberdade de expressão vendida à preço de banana na vitrine limpinha cheirosa do liberalismo.

O rapaz, em sua defesa, diz ser de origem judia e que associá-lo a tal gesto é ofensivo. Muito difícil nessa hora ignorar que o sionismo responsável pelo genocídio palestino é adorado por Bolsonaro, Ernesto Araújo, Bananinha Zero Dois e outros integrantes do governo. Em tempo, antissionismo não é antissemitismo. Longe de passar pano para um bolsonarista – o que depõem contra o rapaz –, somos, ou deveríamos ser adeptos da presunção de inocência. Estamos mergulhados em desgraça graças a um juiz ladrão, mentiroso, que acusou e prendeu sem provas um homem por 580 dias. Durante a ocorrência, o próprio senador Randolfe afirmou ter sido um gesto obsceno, não o gesto supremacista, sugestão que surgiu das tão conhecidas especulações que viajam em velocidade luz pela internet. Não toleramos símbolos racistas? Porque Sta. Bárbara do Oeste ainda celebra os Confederados sulistas norte-americanos, notáveis supremacistas brancos?

Não há dúvidas de que o sinal de arminha se encaixa perfeitamente no gesto supremacista branco, pois derivam da mesma fonte pútrida e violenta que os nutre. A diferença é que toleramos um gesto que se espalhou pelo país nas mãos de crianças e adultos de todas as raças, sexos, gêneros, crenças, na tevê, nas ruas, em espetáculos, em parlamentos, em igrejas, etc., e elegeu um genocida que segue praticando seu genocídio, seu fundamentalismo cristão, sua apologia à tortura, sob a anuência do mercado e da elite eugenista, com supremo, com tudo, amém.

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