Ache um cara melhor, taoquei!

Especialista em apontar o dedo, em tirar o dele da reta, fazer-se de vítima e, como foi vastamente anunciado e pôde ser comprovado em pouco mais de mil dias de governo com as mais de 600 mil vítimas fatais de covid-19 – entre outras tantas causadas pelo descaso e desprezo à vida alheia –, especialista em matar, o coprolalíssimo presidente da república das lacrações revolucionárias de fins de semana – e feriados –, Jair Bolsonaro, defendeu-se hoje em seu costumeiro encontro com a súcia rastejante fedorenta das acusações de ser responsável pela colossal crise social, ética, política, cultural e humana que assola o país “… o tempo todo sou o responsável, se é assim, ache um cara melhor…”, taoquei.

Por falta de convite para deixar o cargo é que não poderemos ser acusados. No entanto, quem manda de fato na situação está muito bem, obrigado!, entre aqueles e aquelas que lucraram no primeiro semestre de 2021 ínfimos 62 bilhões de reais: os bancos. Ora, num país que celebrou o dia em que 11 pessoas se tornaram bilionárias em plena pandemia – o que nos leva a crer que os já bilionários ficaram mais bilionários –, pela simples necessidade fisiológica de afirmar a cultura do topo, a tal meritocracia, o que se pode esperar de um povo doutrinado pela televisão, pelo culto à personalidade instantânea e descartável, pela falácia da democracia racial, quimicamente dependente do liberalismo limpinho cheiroso, senão que adquira uma patológica resistência à realidade, essa que colocou 20 milhões de pessoas na miséria, passando fome, catando resto de comida no lixo, roendo osso, uma carapaça tão dura que jamais terá sua existência ferida a ponto de lhe fazer cócegas e, quiçá, ser resistência? Apenas que aja e reaja exatamente da forma como se vê: apontando o dedo para o outro, tirando o seu da reta, fazendo-se de vítima e, dessa forma, tornando-se também especialista em matar democracias, amém.

Enquanto não nos responsabilizarmos pela situação em que nos metemos, não sairemos desse lamaçal pestilento e acabaremos por nos afogar no santo sacro orgulho de sermos uma colônia submissa e imbecilizada, amém.

Paralisação geral já.

Obrigado!

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