500 mil. E daí?

Um sábado qualquer, desses que se aproveita para encontrar os amigos e dar um tranquilo passeio de moto, cometer pequenos delitos, contar umas mentirinhas entre risos e gracejos, bater recordes, provocar autoridades paralisadas por sua incapacidade de agir contra aquilo que, no fundo, reflete limpidamente em seus espelhos mais íntimos, enfim, tripudiar da vida alheia, pfiu, pfiu.

Um sábado qualquer, desses perfeitos para se aglomerar em plena pandemia vestindo fantasias e faz de conta, portando cartazes cheios de graça, gritos, bordões ensaiados, cantorias, arco-íris, tudo muito bem produzido para caber no clique e inundar as redes sociais, esse espelho tão, na árdua tarefa de pintar na tela grande e na capa do jornal de quem lhe gospe na cara, enfim, lacrar até morrer, taoquei.

Um sábado qualquer, desses que o patrão tira pra descansar, ir ao shopping, gastar um pouquinho do bilionário dinheiro ganho graças à suada subserviência de seus colaboradores que, de segunda à sábado, enfrentam-se uns aos outros pelas migalhas que caem de sua boca gulosa, amém.

Num dia como esse, o Brasil lamenta seus 500 mil mortos por covid-19, pouco mais de um ano após a primeira morte, cerca de 300 mil mortes evitáveis, uma vez que já era possível vacinar cerca de 10 milhões de brasileiros no início deste ano, segundo as assombrosas denúncias levantadas pela CPI da Covid, no Senado Federal. Senado esse que aprovou a privatização da energia e que, junto com a Câmara dos Deputados, toca a boiada a galope para satisfazer o golpe. As estimativas de quem entende do assunto, apontam números aterradores para os próximos meses, algo entre 750 e 800 mil mortos. Não teremos impeachment, uma vez que o fantoche das elites, o execrabilíssimo presidente da república dos revolucionários de fim de semana, Jair Bolsonaro, está cumprindo com seu papel, mesmo que lhes respingue um poquinho aqui e ali.

500 mil mortes. E daí? Isso aí é só um passeio num fim de semana para quem tem compromisso com a morte, taoquei.

Paralisação geral já! É urgente obstruir o caminho do dinheiro até o bolso de quem lucra com a fome, com o desemprego, com a violência, com a morte, de segunda à segunda.



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