Huck. Voto em branco…

Eis que chegamos ao último episódio da emocionante saga que conta com riqueza de detalhes as aventuras oportunistas do gancho mais rápido dos turbulentos mares do Atlântico Sul, as peripécias politiquescas do calderônico Capitão Huck, direto do convés de sua nau sempre pronta para inflar suas velas com os ufanismos da liberália limpinha cheirosa em direção aos interesses individualistas das elites golpistas.

Neste episódio, Huck – que aguarda ansiosamente a chegada de uma encomenda muito especial – nos surpreende com a surpreendente surpresa que surpreendeu os surpresos surpreendidos pelo sempre surpreendente óbvio ululante, ao declarar a um entrevistador rancoroso, mais intelectualizado do que intelectual, que votou em branco nas eleições que alçaram ao poder o milicianíssimo presidente da república dos vira-latas, Jair Bolsonaro, contrariando a declaração que fez dias antes do fatídico pleito quando afirmou “…vamos ver o que vai fazer… ele tem uma chance de ouro, né?…de ressignificar a política no Brasil”, fato que faz urgente o uso de polígrafo em entrevistador e entrevistado, a fim de saber quem mente menos em favor da imagem de bom moço.

Ora, que Huck votou em branco nunca houve dúvidas. Tivesse votado em Haddad, teria votado em branco, uma vez que vivemos em um país que celebra toda sua diversidade cultural de acordo com a conveniência que o lucro traz aos bolsos dos brancos ricos. A diferença é que preferiu votar em um branco que deixou clara como a túnica de um supremacista branco sua plataforma antidemocrática, racista, machista, etnocida, ecocida, etc., de acordo com a cartilha necropolítica seguida à risca pelo grupo midiático incentivador e financiador de golpes – esse da qual a esquerda é caninamente cativa – de onde contribui semanalmente para a cultura assistencialista do branco salvador, a imbecilização e a doutrinação antipolítica em nome do deus capital, amém.

Em tempo, nosso herói recebe a tão aguardada encomenda, higieniza a embalagem antes de rasgá-la em pedaços para descobrir em seu interior o reluzente artefato que passará a orgulhosamente ostentar em suas milionárias tardes de domingo, plim, plim.

Obrigado!


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