Carnaval fora de época

Data venia o enérgico empenho de senadores e senadoras de oposição ao regime midiocristobarbárico do genocidíssimo presidente da república do esbregue, Jair Bolsonaro, que durante seis extenuantes horas massacraram o depoente de hoje na CPI da Covid, o ex-Secom Fabio Wajngarten: quem risca a peixeira no chão tem que estar pronto para usá-la, taoquei.

Nos últimos 5 minutos da sessão que tinha Wajngarten em vias de passar a noite na cadeia por mentir deliberadamente diante da comissão, tendo provas e mais provas indefensáveis jogadas na sua cara, a CPI foi surpreendida por um espetáculo bufônico protagonizado pelo filho mais velho do mandatário da nação, senador Flávio Bolsonaro, que atacou o relator Renan Calheiros com xingamentos, obrigando o presidente da mesa a encerrar a oitiva, sob advertências de que se não fosse tomada medida enérgica contra o depoente, aquela CPI desabaria ferida de morte pela própria peixeira que foi puxada mas nunca embuchada.

As próximas horas serão decisivas para determinar a continuidade da CPI da Covid que, diante de 428.034 óbitos, 2.494 nas últimas 24 horas, pode se consolidar como o mais bem sucedido golpe contra Bolsonaro, ou como o carnaval fora de época mais pitoresco da história, regado por uma hedionda chuva de Constituição Federal picada voando pelas janelas da Casa de Vidro, pfiu, pfiu.

Estamos diante de 50 anos de doutrinação antipolítica que transformou o brasileiro em um adicto inveterado da esculhambação, do culto à zoeira, ao barraco, adestrado pelo consumo desembestado de três doses diárias de novelas, enlatados róliudianos, realitichous e programas de auditório objetificadores de corpos e especializados em humilhar pessoas por diversão. Motivo pelo qual as atenções se voltaram para o fedorento flato do Zero Um, pouco importando o esforço, a dedicação pelo bem comum dos parlamentares quando o que vale é a minúscula sensação de prazer que reside em rir da desgraça alheia.

Bolsonaro quer mais é que venham mil CPIs contra ele, uma vez que tudo transforma em espetáculo grotesco usado para proteger a escancarada porteira por onde passa, sem obstruções, a boiada do golpe, amém.

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