1º de maio. Dia de mostrar quem manda.

Deveríamos estar nas ruas. Mostrar quem manda. Paralisação geral. Impedir a boiada, ocupar o que é nosso.

Uma frase soou pelas ruas da Colômbia nos últimos dias, por conta das paralisações de trabalhadores e trabalhadoras contra a reforma tributária neoliberal de seu governo, diz muito sobre o que nós, brasileiros, nos tornamos diante da perda de direitos, liberdades e soberania conquistados duramente desde a abertura democrática no Brasil, com a ascensão meteórica do ideário fascista que nos assola desde 2016: “Um povo que marcha e protesta em plena pandemia é porque seu governo é mais perigoso que o vírus”. – Residente.

Até quando vamos ficar olhando? Quantos mais precisarão morrer para manter a riqueza de 1%? Já sabemos que 403 mil não são suficientes para ferir a existência de quem disse que seria resistência. 403 mil mãos que foram soltas. Já sabemos que as tentativas da esquerda de assimilar as ferramentas da direita, seus buzinaços e panelaços, e atrair os ídolos lacradores limpinhos cheirosos da liberália individualista, mais dia, menos dia, afundará em frustração, pois estes que abrem seus sorrisos brancos de hálito puro querem manter suas caras sob os holofotes, marionetes do patrão. As pautas identitárias, mais dia, menos dia, serão substituídas na vitrine do liberalismo por outras que dão mais lucro, e serão abandonadas com as feridas abertas de suas sangrentas brigas e cancelamentos lacradores contra quem está do seu lado, e, mais uma vez, lhes acolherá.

Tivemos uma oportunidade de ouro de derrubar o capital quando do advento da pandemia, no mundo todo mostrando a dependência dos ricos pelos trabalhadores, pelos pobres. Deixamos passar, e os ricos estão extremamente mais ricos, e os pobres obscenamente mais pobres, e famintos, e morrendo, e sendo substituídos por outros na linha de montagem, para que a engrenagem não pare jamais.

Quando, afinal, vamos mostrar quem manda? O tempo está passando, pessoas estão morrendo aos milhares, 100 mil em um mês.

Somos escravos do dinheiro, amém.

Ilustração digital sobre foto de @ricardostuckert

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