O verdadeiro banquete

De um lado, megaempresários brasileiros, muitos deles orgulhosamente presentes na lista dos bilionários dentro e fora do país, ovacionando o genocidíssimo presidente da república, Jair Bolsonaro, em um banquete promovido para fortalecer laços e garantir que suas prioridades serão atendidas. Nem todos estão presentes de corpo e alma, mas não há sequer um espaço ali que não esteja preenchido por quem apoiou, patrocinou e elegeu Bolsonaro, pfiu, pfiu.

Do outro lado, do lado de fora, 19 milhões de pessoas passando fome, 15 milhões de desempregados, 345 mil vítimas fatais de covid-19, dois dias seguidos com óbitos de mais de 4 mil pessoas; despejos, ônibus e trens lotados, escolas abertas. E daí? A escassez da vacina no mundo já não é mais um problema para as elites. Não que de fato fosse, mas agora têm não só o aval da Câmara dos Deputados – como já o tem da Justiça Federal e, em breve, de todo o Congresso Nacional – para fazer à luz do dia as manobras que precisarem para conseguirem a vacina sem a obrigação de doá-la para o SUS, ou qualquer outra dessas bobagens democráticas, enquanto os grupos prioritários não estiverem imunizados. Ora, agora, eles são a prioridade, taoquei.

No meio disso tudo, o brasileiro médio, indivíduo-dua-due-dui-duu confortavelmente limitado-di-du-da-de, convenientemente negacionista, hidrofóbico adulador das liberdades individualistas enlatadas em realitichous e redes sociais, fervoroso defensor de empresas privadas, esses sólidos monumentos da cultura consumista, pilares inabaláveis onde se agarram com todas as forças, até o último suspiro, literalmente, confirmando sem sombra de dúvidas que o capitalismo é uma religião, amém.

A vacina, que deveria ser um bem universal, não ter patente privada – uma vez que o dinheiro que as torna possíveis provém, na sua grande maioria, de Estados –, e servir a todas e todos, no brazil, foi privatizada e celebrada pela liberália limpinha cheirosa que acredita que agora será imunizada pelo patrão, esse semi-deus olímpico, para poder voltar à vida normal que, basicamente, consiste em produzir bens de consumo até morrer para manter os bolsos dos ricos sempre cheios, com fome, com tudo.

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