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Faça uma doaçãoDoar mensalmenteDoar anualmenteQuando ainda desfrutava dos dias que sucederam sua famigerada fuga para Paris, Ciro Mariola Novesfora Gomes, encontrou durante um de seus ruminantes passeios pela Cidade Luz, da qual não é cidadão honorário, uma pequena e charmosa livraria que ostentava em sua fachada a tricentenária presença naquele local, o que trouxe ao nosso aristocrático herói hereditárias memórias da terra natal. Curioso, Ciro adentrou a livraria e logo acostumou-se com o cheiro de pó e velharia ideológica que lhe é tão familiar. Entre os volumes, encontrou o livro que viria a guiá-lo em sua dozeporcentíssima tentativa de tornar-se presidente do brazil, um manual de taxidermia neoliberal, a solução perfeita para lustrar e revitalizar a embalsamada liberália limpinha cheirosa brasileira.
Já no brazil, depois de muito trololó, direitos já e frentes democrátiquers, Ciro, que liberou de vez seu atávico despotismo, decidiu radicalizar e uniu-se a turma do calderônico capitão Huck, com quem encontrou sob os mastros de velas prontas para inflar a nova tripulação da Nauliberal, entre os brancos ricos, os notáveis Henrique Mandetta, com suas bandagens e unguentos democratas, o novato João Amoedo, empreendedor marujo de primeira viagem cheio de boa vontade e, no timão, guiando-os-as-es-is-us por mares já dantes muito navegados, fedendo a naftalina e formol, o guru da tucanalha, Fernando Henrique Cardoso. Durante os cumprimentos de praxe, acenos de mão, arrotos e peidos, ouvesse um som peculiar, um qué! que surge por detrás do lustroso capote do capitão Huck que, sem delongas, apresenta seu lugar-tenente, homem justo e indeterminado de ofício, o paladino inflável da justiça branca do sul, Sergio Moro.
Mas Ciro é agora um homem livre das amarras da moral, da ética, da justiça, das pormenoridades pífias que o separam do ideal arrivista contra seu inimigo mortal: Lula. Ao ver Moro grasnando e bicando o passadiço atrás das migalhas jogadas pela tripulação, Ciro respirou fundo, despiu-se de seu oportunista bom-mocismo e arrotou – ou peidou, dizem especialistas –, com o tronco inflado por sua infinita reserva de gases: “não me interessa o que fizeram no verão passado”, plim, plim