A corda esticada

Em mais um domingo ensolarado, o fanfarroníssimo presidente da república dos fanfarrões arrotou ameaças golpistas para a fascistália rastejante que o adulava junto ao Palácio da Alvorada para celebrar seu defecaversário de 66 anos. Na ocasião, Bolsonaro lavou as mãos no fosso que circunda o palácio, as enxugou na bunda e foi pro abraço, tudo seguindo à risca as normas sanitárias do negacionismo bíblico com deus acima de tudo, amém.

Mais uma vez, Bolsonaro invocou as Forças Armadas como defensora do povo brasileiro contra o perigo socialista, reforçou que a corda esticada e que, em breve, terá que tomar medidas drásticas se o povo assim desejar. A mesma ladainha que ouvimos há cerca de dois anos, com e sem pandemia, quando de seus encontros com os seguidores mentecaptos. Daqui algumas horas ele vai dizer que não disse o que está registrado em vídeo por sua própria assessoria e a última risca feita no chão é apagada com os pés e Bolsonaro dá mais um passo adiante.

A corda está esticada? Essa não seria a oportunidade perfeita para soltá-la e derrubar o lado de lá, como num cabo de força? Se a corda está esticada as forças que assim a mantém são, no mínimo, equivalentes? Ora, se a corda está esticada, então, aceitamos o jogo, pois o sustentamos do outro lado. Se aceitamos o jogo é porque não está assim tão desconfortável do lado de cá; uns ajustes aqui e ali e volta tudo aos eixos até o próximo Bolsonaro sair da fábrica de fascistas que modernizou suas máquinas, sua linha de produção, seu marquetin e cuja demanda nesses tempos é cada vez maior. É essa a lógica que mantém a corda esticada, à guisa de defesa da democracia, da liberdade, da soberania. É essa a lógica das frentes amplas que há mais de um ano não conseguem encontrar em um genocídio a céu aberto o ponto em comum que deveria uni-las-les-lis-los-lus contra o genocida. Afinal, há quem lucre muito com Bolsonaro no poder, financeiramente e politicamente. É urgente cortar essa corda em pedaços, de modo que não seja possível emendá-la, reatá-la, pois ela representa o jogo de forças que mantém os mesmos nos mesmos lugares desde sempre, num troca-troca sem fim, com supremo, com fome, com tudo.

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