Tratamento inicial

Quando não há mais como esconder a própria imprestabilidade por detrás de encenações machescas e bufônicas, a saída desesperada dos imprestáveis é partir pra agressão. O coprofagíssimo presidente da república dos cidadãos de bem, Jair Bolsonaro, está acuado e arisco. Usa seu Ministro da Justiça e a PêÉfe como capangas para intimidar adversários e críticos, pois percebeu que não conseguirá criar sua milícia cristã em tempo, decepcionou as polícias ao trocar 15 anos de seus salários por uma fragilíssima garantia de governabilidade; não consegue mais tirar as sujeiras de seus filhos do foco e suas próprias lambuzeiras já estão surgindo no lamaçal. É um caminho sem volta, taoquei.

Bolsonaro, magoado com os governadores e prefeitos que estão aplicando o lockdown, os ameaçou com o Estado de Sítio, recurso previsto na Constituição para situações que não incluem brasileiros tentando salvar a vida de… brasileiros. Não há ataque terrorista, não há ameaça externa. Há um vírus assassinando milhares de pessoas por dia enquanto aquele que deveria estar na linha de frente no combate a tal pestilência faz das tripas coração para conseguir ser pior que a própria peste, pois não admite concorrência, pfiu, pfiu.

Na semana em que a média diária de óbitos por covid-19 ultrapassou as 2 mil pessoas – 290.525 em pouco mais de um ano, segundo lugar no mundo –, Bolsonaro imitou em sua láive semanal – essa que o Zuck mantém no ar graças aos lucros do engajamento – uma pessoa com falta de ar, justificando o uso de tratamento precoce, comprovadamente ineficaz, mas sempre indicado pelos muito bem intencionados cristãos de bem da família tradicional brasileira. Em breve, uma vez que a ciranda não dá sinal de que vai parar de rodar, veremos Bolsonaro em seu canal ensinando – com patrocínio da Havan, da Apsen, do Madero, da Centauro, das Casas Bahia, da Coco Bambu, da Localiza, da Riachuelo e tantas outras que aguardam ansiosamente pela oportunidade – seus fiéis a aplicar correta e eficazmente os métodos de tortura permitidos pela bíblia da liberdade de consumo em nome do deu$ acima de tudo, amém.

Ilustração digital sobre obra de Ronaldo Creative.

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