Em sua retrospectiva da década, a Folha de S. Paulo, despudoradamente suprimiu o fato de que os governos Lula e Dilma, respectivamente, na presidência do Brasil, em um esforço conjunto de reparação histórica com o Movimento Negro, foram os responsáveis pela política de cotas para negros nas universidades e pelas conquistas trabalhistas das mulheres negras, herdeiras do sistema escravagista que as conduz desde muito novas, em sua maioria, ao trabalho doméstico nas casas de brancos ricos e de classe média, sujeitas a maus tratos e, como vimos recentemente em Minas Gerais, ao cativeiro por décadas. Impossível não lembrar do escândalo nas mídias quando as patroas e patrões se viram obrigados a pagar direitos trabalhistas às mulheres que lhes serviam como criadas consideradas membros da família. Salário mínimo? FGTS? Férias? Empregadas domésticas no shopping? De carro? Na Disney? “Uma festa”, como disse, Paulo Guedes, ministro da economia dos ricos do governo do entulhíssimo presidente Jair Bolsonaro, único parlamentar a votar contra a PEC das domésticas, em 2012, taoquei.

A festa acabou. As terríveis notícias sobre desemprego, fome, miséria, violência, voltaram a estampar os jornalões como nas décadas de 80 e 90. À falta de auto-crítica do jornal paulista – coisa que não é privilégio seu –, soma-se a esquiva por responsabilizar-se pela campanha difamatória que levou a presidenta Dilma Rousseff a ser vítima de um golpe midiático-jurídico-parlamentar, com o Supremo, com tudo, e, a seguir, o ex-presidente Lula à cadeia sem provas, mas com muita convicção. A obstinada franquia antipetista lucrou horrores, inflou egos e bolsos e agora é a maior bolha política da história, com provas diárias da inconsequente escolha das elites fascistas, um tiro em cada pé do povo brasileiro, causando uma hemorragia impossível de ser estancada que colocou o país de joelhos diante do imperialismo norte-americano e do neofascismo que tudo odeia e quer pra si, com deus em cima de tudo, amém.

A Folha fará 100 anos nos próximos dias. 100 anos de entulho burguês amontoado no lixo da história.

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